Ele foi visitá-la.
Estava de mudança a moça.
Ele deu a ideia de invadirem a construção.
Já estava quase no fim...
Aquela era a casa onde ela iria morar
Faltava terminar a fiação, pintar, levar mudança. Decorar.
Ela mostrou cômodo a cômodo.
Mostrou o futuro quarto.
Ele perguntou bem doce: Onde será tua cama?
Sorrindo ela caminhou até debaixo da janela e entre lábios disse: Bem aqui!
Ele pegando-a pela cintura e sentindo a tez do tenro pescoço sibilou: Quem sabe a gente estreia?!
Ela negou sem negar. Repeliu o corpo mas beijou-o na boca.
Ele sabia manipular.
Prosseguiu para as apresentações. Mostrou a nova área.
Algumas plantas já haviam sido transplantadas da casa antiga.
Ingênua, mostrava para ele quem realmente era.
Cantava para as plantas e com elas conversava.
Abraçou aparentemente ao acaso uma pequena árvore.
Mas não era acaso para ela.
Conversava amorosamente com a árvore enquanto ele olhava-a incrédulo.
Os grandes olhos dela captaram a perplexidade dele com o tão singelo ato dela.
Explicou: Esta árvore antes estava plantada na terra sem vaso... precisa de muito amor para sobreviver, pois foi um choque muito grande para ela ser retirada de lá.
Ele olhava a moça em silencio enquanto ela passava as mãos carinhosamente na árvore.
"Você é muito boa, sabia? Acho que não conheço mais ninguém com a bondade que você tem"
Foi puro e sincero o sorriso da moça.
Não sabia da sua sentença.
Foi admitir bondade para aquele que sugaria a dela até a última gota.
Foi acreditar em um homem. O primeiro senão seu pai.
Foi falhar miseravelmente.
Esperava amor, mas traçou a linha mais densa de dor que poderia ao mostrar quem era para aquele ao seu lado.
Ele aproveitou o quanto quis e pode daquela bondade e daquele amor até não sobrar nenhum ego na imagem daquela moça que costumava procurar ser boa.
Hoje ela não conversa mais com planta alguma na presença de quem quer que seja.
Nem confia mais em qualquer um que para ela tenha apenas meras palavras.
Nenhum comentário:
Postar um comentário