terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Os dois dias que salvaram o Natal

Eu não sei como escrever sobre tais dias que falo sem parecer uma criança contente demais.
Mas contarei.. e ainda que pareça tal criança, perdoem me.
Meu sentimento é verdadeiro demais para pensar sobre o que devem pensar terceiros.

Experimentei uma sensação de estar sentada ao lado de Deus neste domingo.
De forma que ele poderia amaciar meus cabelos e soprar ao meu ouvido seu amor maior.
E isso aliviou minha alma de quase todo o sofrimento que eu vinha experimentando na última semana.
Não me estenderei nessa minha experiencia... pois ela é algo raro que poucos podem realmente gozar.
O que importa sobre ela é que fui com uma amiga.. e que depois dormi na casa desta.
Uma amiga na qual estava distante, uma amiga que me lembra em alguns aspectos eu mesma.
Uma amiga que mora com um namorado, e que atualmente experimento uma espécie de ligação muito profunda com ambos.
Esta ligação talvez seja mais do que a maior parte dos meus leitores possa entender.
Também não quero fritar a cabeça de vocês com situações atípicas.
Basta que entendam que ambos são peças chave para minha reintegração com meu equilíbrio interior.
Ponto.

O que há para saber do primeiro dia que salvou o Natal é que tive uma experiencia com Deus muito forte, que voltei para a casa da minha amiga e que ao chegar na casa da minha amiga recebi uma ligação do meu ex namorado. Ele parecia muito perturbado e chorava muito. Mas, apesar de isso partir meu coração, isso não me tirou de santidade. Meu espirito não enfraqueceu. Pude ter clareza e respeito pela pessoa que amo e combinei de encontrá-la no dia seguinte.

Comecei meu dia seguinte na casa do meu casal de amigos. Tive uma adorável manhã com eles e fui para casa.
Por volta de 18:30 encontrei meu ex na rua para conversarmos.
Tivemos uma conversa franca onde revelei, o que não é nenhuma novidade, que ainda o amo, tão profundamente ou ainda mais do que quando começamos. Nada, nada mudou... e que respeito sua história, suas faltas e apelos. E que não irei quebrar suas asas de maldade, só pra me fazer feliz no chão. O meu amor é puro... de forma que desejo sua felicidade tanto quanto a minha. Quero que viva e que voe, e que não se preocupe... não vou esperar no chão, nem propriamente esperar. Mas quando nos unimos... meu coração balão foi laçado por uma fina linha de costura, quase imperceptível, e na outra ponta, eu vi que ainda está o seu. Por mais que a linha seja longa e pareça que não tem fim ( e provavelmente não tem mesmo) estão unidos por algo que um chama de amor, por assim confiar e outro chama de carinho enorme, por assim preferir. E que se tiver de ser, será. Levianamente guardamos um pedaço um do outro.
E te digo mais do que disse antes... concentre-se nos seus desejos para realiza-los. Tente não se distrair tanto com distrações químicas. Lembre-se das minhas palavras e do meu sentimento. E se sentir saudades mais uma vez, não se traia... lembre dos melhores momentos. Olhe nossas fotografias, se as tiver. Lembre dessa linha... não tenha medo, eu ainda estou perto o suficiente para ceder a um puxão seu. Mas não posso intervir no seu caminho. Quem corta ou quem puxa a linha é você. Pois você tem um objetivo.. eu apenas tenho um itinerário, como o de um circo andante. Sei que não vai se esquecer de mim.. e eu jamais esquecerei você, meu amor.
E se eu lamento alguma coisa sobre nós dois, é de ter te dado hoje apenas um selinho.

O dia seguiu. Meu fiel amigo e escudeiro foi me buscar. Tínhamos planos de assistir um filme no BarraShopping, e teríamos tempo. Se não fosse o acaso agindo em favor do bem.
Pegamos um ônibus. E, próximo a Cidade de Deus escutamos um celular tocar. Não era de ninguém no ônibus, e logo reparamos que o aparelho, novíssimo por sinal, estava entre os nossos pés. Havia um casal na nossa frente, e logo reparamos que a menina que aparecia no display era a menina que havia acabado de descer do ônibus. Atendemos a ligação e nos propusemos a descer do ônibus para entregar. Caminhamos um tempo e encontramos o casal. Devolvemos o celular e ouvimos muitas gratificações por isso. Ficamos felizes. O dono do celular ficou verdadeiramente agradecido. Chegou a nos oferecer a casa para passarmos a pernoite uma vez que estávamos longe de casa e tínhamos perdido nossa sessão de cinema. Agradecemos, mas tínhamos que voltar. Atravessamos a rua e paramos em um ponto de ônibus. Foi então que eu percebi onde eu estava. Peguei o meu celular e fiz uma ligação. Era a lateral do prédio de uma amiga muito querida, tão querida que chego a me atrapalhar. Por sorte (que sorte, que nada, depois de alguns seguimentos de bondade de Deus você acaba se acostumando com tais misericórdias..) ela estava próxima de casa, teríamos que andar só até o próximo ponto.
Não vou entrar em detalhes da tentativa cretina do meu amigo de me gravar cantando enquanto parávamos no ponto mais próximo da portaria do prédio dela, não comente da forma que eu cantei! Preciso melhorar e pretendo fazer alguma surpresa bacana a todos os que eu tanto escondi a minha voz.
Esperávamos a nossa amiga chegar quando percebemos um gato em cima de uma árvore que estávamos debaixo. Ficamos aflitos, tentamos subir na árvore. Ligamos para os bombeiros. Enfim.
Nossa amiga chegou, e foi um encontro muito rápido. Mas bom... um abraço e uma lembrança. Rápido, porém mais quente que a maioria dos contatos interpessoais do mundo de hoje.
A saga do gato continuou depois que ela se foi. E meu fiel amigo conseguiu subir na árvore para tentar salvar o bichano. Mas o gato, que parecia letárgico para descer, se mostrou um exímio escalador de árvores subindo os galhos mais finos e complicados, aquele filho da puta.
Nesse meio tempo, voltava o dono do celular que devolvemos um tempo antes. Ele pegaria ônibus no mesmo ponto. Não fosse o mundo pequeno como era, ele ainda nos revelou que estudou na mesma escola que eu e meu amigo. Na mesma época. A ele darei um nome neste texto, não quero esquecer. Guilherme.
Como pequena retribuição, Guilherme perdeu alguns ônibus esperando conosco o nosso.

Pegamos nosso ônibus exaltados, totalmente felizes pelo saldo do dia.
Espalhando alguma simpatia por ai... como de praxe.
De brinde fizemos uma bebê linda nos sorrir.
Perguntávamos o que mais de incrível poderia nos acontecer?!
Ao descer, cumprimentamos o motorista com alegria e este, na maior simpatia nos ofereceu uma carona extra. Que negamos pois quando saio da rodoviária tenho que ir para a contra mão. Não importa... o motorista foi tocado, a senhora que pediu ajuda para descer, a moça que pediu para apertarmos a campainha, o Guilherme, a nossa amiga que não esperava a lembrança, o meu ex que pode ver mais nuances do meu amor, o casal de amigos meus que me conhecem e me reconhecem como alguém que podem contar, e o meu fiel amigo a quem eu devo meu eterno carinho e amor, por dividir comigo as crises de choro, os medos, as raivas, os sorrisos, as realizações, os segredos e a voz que tanto escondo do mundo.

O Natal foi salvo, pela verdade dos nossos sentimentos.
Pela bondade despretensiosa.
Pelo amor verdadeiro sem egoismo.
Pelo pequeno fogo de paixão pela vida.
Por hospitalidade gentil e amigável.
Por tudo que ainda quero viver e dar do que tenho de bom para o mundo.
Por este amor a Deus incondicional que estou aprendendo a ter.
Pela honestidade.
Pela minha memória e habilidade de escrever..


Para que eu nunca amargue,
E que jamais esqueça duas coisas:

Quem eu sou
e que sou feita de empatia.

2 comentários:

  1. Você é a pessoa mais incrível que já conheci! Krishna te dará o que há de melhor, você será feliz!
    Muito obrigado e mil desculpas de uma pessoa que tem muito carinho por você!

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  2. É impossível detalhar todas as coisas que pensei lendo esse relato, ou toda a felicidade que estou sentindo. A luz que você viveu e emanou nesses últimos dias passou um pouquinho pra mim também, e me contagiou no sentido de refletir o quanto eu também preciso me aproximar de Deus e da bondade. Mas mais do que a influência disso em mim, eu agradeci muito a Ele por ver no que você conta, coisas que eu antigamente temia que você não pudesse enxergar. Quando você fala que teve a experiência de estar do lado de Deus e retrata seu amor incondicional, sinto um alívio muito grande em saber que você encontrou não só um alicerce, mas uma luz, e melhor, finalmente consegue reconhecer aquela que há dentro de você, e manifestá-la desse jeito tão bonito, dando amor e ajuda às pessoas que encontra pelo caminho. Nada acontece por acaso (aliás, mesma escola q vc diz é a Faetec? o.o), e a amizade que vc tem com esse casal incrível me deixa muito satisfeita pq sei o qt está te ajudando.

    Mais do que tudo, o que me deixa feliz é quando você fala sobre o que você ainda quer viver e dar de bom para o mundo. Essa é uma das coisas mais especiais da vida: poder espalhar nosso amor para as pessoas. Para poder fazer isso, vale a pena passar pelos transtornos com os quais temos que lidar. Também estou orgulhosa pela sua capacidade de amar sem esperar nada em troca, é assim que tem que ser. Você acaba de fazer o Natal de mais uma pessoa mais feliz.

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